Vídeo "Em Trânsito, em morte"
“Começámos a
aceitar servilmente este estado de coisas e, quando já não somos capazes
de esboçar o mais pequeno gesto de recusa sobre a participação no lento
processo de destruição em massa em que estamos envolvidos,
encontramo-nos prontos a ser vítimas da exploração e de um esmagamento
da individualidade, acompanhados da maior de todas as farsas. A
democracia relativiza todas as formas de exploração que se assumem como a
maior ignomínia do nosso tempo.”
A
7
Nós acaba
de publicar o título Em
trânsito, em morte,
de Ivo Martins, um autor que tem vindo a escrever regularmente sobre
arte e jazz em diferentes publicações, mas que conhece com este
livro a sua estreia editorial.
Uma luz branca, branca e densa,
atravessa a todo o momento a leitura desta obra, não nos deixando
escapar à ferida da lucidez.
Em
trânsito, em morte é
uma recolecção e justaposição de impressões, ideias, pequenas
ficções, narrativas e digressões reunidas por contaminação num
corpo discursivo de estatuto indefinido: nem “ensaio”, nem
“romance”, nem “autobiografia”, nem “diário”. O tema
deste livro é volátil e difuso – estamos perante uma escrita “sem
assunto” e “sem tópico” que, profusa e expansiva, se ocupa de
todos os grandes assuntos e grandes tópicos da
hipercontemporaneidade
(política,
arte, sociedade) ao mesmo tempo que faz correr, em linhas paralelas,
movimentos subterrâneos pelo interior de um espaço privado feito da
solidão, dos impasses e micro-eventos da vida íntima e interior. O
seu discurso surge-nos como a dissecação crítica, violenta e
desassombrada, da realidade actual, elaborada a partir das fronteiras
exíguas e claustrofóbicas de um apartamento suburbano, olhando para
o exterior através das molduras das suas janelas e dos ecrãs de
televisão. O sentimento específico do autor em relação ao real é,
assim, perturbado e amplificado pela luz dos néons e da
electricidade estática – símbolos de uma representação mediada
(e, por conseguinte, não original) do mundo, que o distorce e
submete a estratégias mitologizantes de alienação e a lógicas
corruptas de comércio e mercado. A narrativa contida nesta obra
desenha o mapa de uma viagem pela paisagem mental do contemporâneo,
marcada pela devastação e, por vezes, por clarões pontuais e
inesperados de beleza.
A
publicação de Em
trânsito, em morte apresenta
aos leitores uma voz literária singular e introduz na frágil
paisagem do pensamento crítico português, um inesperado exemplo de
seiva crítica, exuberante e quase selvagem, impossível de ser
catalogada ou enquadrada em qualquer corrente intelectual ou
sistémica (académica, política ou literária).
Apresentações
com a presença do autor:
Santo Tirso
Guimarães
Braga
Porto
Lisboa
(Mais informação em breve)
Ivo
Martins (n. 1952) é
conhecido publicamente pela sua actividade enquanto director
artístico do festival Guimarães
Jazz e
como programador e curador de exposições de arte contemporânea.
Escreve regularmente sobre música, arte e literatura em publicações
como a Op,
Acto
ou
Cuadernos
de Jazz.
Ficha
Técnica:
Autor:
Ivo Martins
Género:
Ensaio
Edição:
7 Nós e Manuel Neto
Capa:
Micaela Amaral
Paginação:
Maja Marek
Páginas:
200
Formato:
14,5
x 20,5
PVP:
15€ (IVA incl.)
ISBN:
978-989-8306-12-8
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IN TRANSIT, IN DEATH, IVO MARTINS
“We have started
to slavishly accept this situation and, when we are at last unable even
to make the smaller gesture of refusal against our participation in this
slow process of mass destruction in which we are involved, we are ready
to become victims of exploitation and obliteration of our
individuality, followed by the greatest of our fables. Democracy renders
relative all forms of exploitation, which are today the highest
ignominies of our times.”
7 Nós just published In transit, in death,
by Ivo Martins, an author who, although publishing regularly in art
catalogs and other publications from many years to this part, makes his
editorial debut with this book.
In transit, in death is a recollection and juxtaposition
of impressions, ideas, small pieces of fiction, narratives and
digressions gathered and contaminating each other through a discursive
work of undefined status: neither “essay”, neither “novel”, neither
“autobiography”, neither “diary”. Its subject is volatile and diffused –
it is a text without a “main theme” or a “main topic”, prolix and
profuse, that minds all subjects and all topics regarding hyper
contemporary world (politics, art, society), while attempting at the
same time and in parallel lines subterranean movements inside the
private space of seclusion, dead ends and micro-events of our intimate
and interior life. Its discourse arises as a critical dissection,
violent and fearless, of nowadays society, made from the narrow and
claustrophobic borders of a small suburban apartment, seeing the
exterior world through the frames of its windows and through television
screens. The author’s specific feelings and emotions towards reality are
therefore disturbed and amplified by neon lights and static electricity
– the symbols of a world’s mediated (thus non-original) representation
which distorts and subjugates it to mythologizing strategies of
alienation and to corrupted logics of trade and market. The narrative
within this work draws the map of a motionless transit through
contemporary landscapes and mindscapes of contemporary world, mainly
punctuated by devastation and, sometimes, by rare and unexpected
miracles of beauty.
The publication of In transit, in death introduces both
the readers and the editorial world to a singular literary voice, one of
the few examples in Portugal of a savage critical lushness, almost
impossible to categorize within any intellectual current or system
(academic, political or literary).
Ivo Martins (b. 1952) is publicly known as the artistic director of Guimarães Jazz
festival and as curator of contemporary art exhibitions. He writes
regularly about music, art and literature in magazines and other
publications such as Op, Acto and Cuadernos de Jazz.
