quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Kassel não convida à lógica | Henrique Vila-Matas | Teodolito

Na  sua  pena,  a  literatura  converte-se  em bastante  mais  do  que  uma  ocupação,  do que um simples meio de expressão e, até, do que uma maneira de viver.

Raphaelle Rérolle, Le Monde


Não  nos  resta  mais  do  que  desfrutar  do humor  negro  de  um  funâmbulo  que caminha sobre um fio que não existe.

Paolo Mauri, La Repubblica

Quem  é  na  realidade  Enrique  Vila  Matas? 
O  escritor  minoritário  mais  conhecido  do mundo, o dandyexcêntrico mais generoso com  que  nos tenhamos  cruzado,  um ansioso célebre?

Les Inrockuptibles








SINOPSE

(...) gostaria de saber se já ouviu falar da Documenta de Kassel. Tinha ouvido falar, e muito,  disse  eu.  E  mais,  alguns  amigos,  nos  anos  setenta,  tinham  regressado  de  lá transformados,  depois  de  terem  visto  obras  de  vanguarda  prodigiosas.  De  facto, Kassel  era,  por  esse  e  outros  motivos,  todo  um  mito  dos  meus  anos  de  juventude, um  mito  não  destruído;  era  o  mito  da  minha  geração,  e  também,  se  não  me equivocava,  das  gerações  que  se  seguiram  à  minha,  pois  todos  os  cinco  anos  se concentravam ali obras de ruptura. Por trás do mito de Kassel, acabei por lhe dizer, estava o mito das vanguardas.

Pois ela tinha o encargo, (...) de me convidar a participar na Documenta 13. (...) não me tinha propriamente mentido quando me falara de uma proposta irresistível.
Sentia-me  feliz  por  aquela  proposta,  mas  contive  o  entusiasmo.  Esperei  uns segundos para perguntar o que se esperava de um escritor como eu numa exposição de arte como aquela. Que se soubesse, acrescentei, os escritores não iam a Kassel. E os  pássaros  não  vão  morrer  ao  Peru,  disse  Boston,  demonstrando  ser  muito  ágil  a responder. Uma boa frase mcguffin, pensei eu. Seguiu-se um breve, intenso silêncio, que  ela  quebrou.  Tinham-na  encarregado  de  me  pedir  que  em  finais  do  Verão  de 2012,  ao  longo  de  três  semanas,  passasse  todas  as  manhãs  no  restaurante  chinês Dschingis Khan, nas aforas de Kassel.
 Chings quê?
 Dschingis Khan.
 Num chinês?
 Sim. A escrever à vista do público.



Enrique Vila-Matas nasceu em Barcelona, em 1948, e é autor de uma vasta obra que o consagrou, em Espanha e internacionalmente, como  um  dos  grandes  escritores  contemporâneos.  

Em  Portugal  é,  sem  qualquer  dúvida,  um  escritor  de  culto.  Grande  parte  da  sua obra foi publicada em português, primeiro pelo saudoso Hermínio Monteiro e, logo após o seu desaparecimento, por Carlos da Veiga Ferreira,  que  continua  a  ser  o  seu  editor.

Os  seus  livros  estão  traduzidos  em  mais  de  30  línguas  e  receberam  numerosos  prémios, entre  os quais  se  destacam  o  Cidade  de  Barcelona (2000),  o  Rómulo  Gallegos (2001),  o  Prix  de  Paris  Du Meilleur  Livre  Étranger (2001), o  Prémio Herralde (2002), o  Prix Aguirre-Libralire (2003), o  Prémio Nacional da Crítica em Espanha(2003), o  Prix Médicis - Étranger (2003),  o  Prémio  Fundación  Lara (2004),  o  Internazionale  Ennio  Flaiano (2005),  o  Prémio  da  Real  Academia  Espanhola (2006), o Prémio Elsa Morante(2007) e o Internazionale Mondello(2009). A Teodolito publicou já os seus livros Perder Teoriase Ar de Dylan e Chet Baker Pensa Na Sua Arte.

ANO DE EDIÇÃO: 2014
NÚMERO PÁGINAS: 260
COLECÇÃO: Teodolito
FORMATO: 16,5 X 23,5 cm
ENCADERNAÇÃO:  brochada
PVP C/ IVA: 16,00 Euros
ISBN: 9789898580214