quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Lettera Amorosa - Iluminações e Sombras | Joana Lapa | Edições Afrontamento

Lettera Amorosa: este belo título, ao mesmo tempo familiar e estranho, lança a imaginação do leitor em diversas direções, com risco de o perturbar. 

Para mim, leitor francês, ele remete evidentemente para a Lettera Amorosa de René Char, publicada em 1953 e retomada em A palavra em arquipélago em 1962. 




O longo poema em prosa foi-lhe inspirado por uma obra de Claudio Monteverdi, o músico que no século XVI abriu a era do que chamamos hoje o Barroco. Joana Lapa conhece-o bem, por vezes evoca-o, cita-o. 

Mas há, entre ela e ele, uma diferença fundamental. A queixa do poeta francês é a de um homem, o seu universo é tipicamente masculino. O amor que canta, murmura ou grita Joana Lapa, o que exprime toda a mulher poeta, é completamente diferente, é mais global, mais universal e, em certo sentido, mais violento. 

O que o amante oferece à amada é, diz ela, «o corpo da minha alma, a alma do meu corpo».

Sobre apresentadores

Robert Bréchon(1920-2012), professor titular de letras, diretor de liceu, adido cultural, foi diretor do Instituto Francês  de Lisboa de 1962 a 1968. Paralelamente à sua carreira profissional que o fez viajar em França e no estrangeiro, nunca deixou de se dedicar à poesia, ao ensaio, à ficção e à crítica literária. Depois da sua estreia literária em 1946, na revista  Seine, foi colaborador de diversas publicações, nomeadamente da revista  Colóquio Letras. Dois encontros marcaram o seu percurso e a sua obra: com Henri Michaux, em 1956, e com Fernando Pessoa, em 1962, decisivo para a sua obra. Tentou difundir em França as obras de Eça de Queirós, Vergílio Ferreira e António Ramos Rosa.

Dedicou-se à difusão da glória de Fernando Pessoa em França e na Europa, publicando sucessivamente, de 1988 a 1996, nove volumes das suas obras. O seu último, intitulado  Le voyageur immobile, foi publicado nas edições Aden em 2002, que em 2003 editariam a antologia da sua obra poética que deu origem ao
presente livro: Échos, Reflets, Mirages.

Joana Lapa publicou os seus primeiros poemas em jornais e revistas como  Sema,  Silex e  Nordés dirigida pela poetisa espanhola (Galiza) Luz Pozo Garza e em 2003 o livro de poesia em versão bilingue (portu-guês/francês)  Dias de Seda/ Jours de Soie, com catorze originais de Júlio Resende e prefácios de Robert Bréchon e de Eugénio Lisboa. A obra de António Ramos Rosa é uma referência fundamental da sua poesia, bem como a cultura francesa e o diálogo com a arte que desenvolve há mais de duas décadas.  No seu percurso, pensamento racional e intuição, discurso crítico e expressão poética alimentam-se mutuamente e associam-se a aspetos diversos da sua personalidade e da sua criação.
Prepara a publicação de um novo livro de poesia,  Deusa da Transparência com fotografias de sua autoria e
apresentação de Robert Bréchon e ainda de Em Busca do Amor Perdido Cartas de Amor de Desconhecidos no Bilhete Postal e na Poesia entre 1900 e 1920,  com prefácios de Eduardo Lourenço e de Fernando Guimarães.

ANO DE EDIÇÃO: 2013
NÚMERO PÁGINAS: 245
COLEÇÃO: Obscuro Domínio, 5
FORMATO:16 X 23 X 1 cm
PESO:440 grs
ENCADERNAÇÃO:brochado
PVP S/ IVA: 16,98 Euros
PVP C/ IVA:18.00 Euros
ISBN: 9789723613032
LETTERA AMOROSA