quarta-feira, 3 de julho de 2013

"A Cadeira Que Queria Ser Sofá" Prémio Nacional de Ilustração 2012

O Prémio Nacional de Ilustração 2012 foi atribuído ao
conjunto de ilustrações da obra A Cadeira Que Queria Ser Sofá, da autoria de Ana Biscaia com texto de Clovis Levi, publicada pela editora Lápis de Memória. As duas menções especiais foram atribuídas às ilustrações da obra Mário de Sá-Carneiro: Antologia Poética, da autoria de Tiago Manuel, publicada pela Faktoria K de Livros/Kalandraka, e à obra Mar,  da autoria de André Letria, com texto de Ricardo Henriques, publicada pela Pato Lógico.
Estas informações chegaram-nos via Direcção-Geral do Livro, dos Arquivos e das Bibliotecas. Ficámos também a saber que “foram analisadas 78 obras, publicadas por 45 editoras, da autoria de 63 ilustradores e textos de 66 autores”.
Sobre o vencedor, 
A Cadeira Que Queria Ser SofáTexto: Clovis Levi
Ilustração: Ana Biscaia
Edição Lápis de Memórias
100 págs., 16€

Um livro com sotaque brasileiro em três histórias singularesEspanto feliz¸O piano de calda e A cadeira que queria ser sofá. Todas sobre a morte. De um país, de uma família de chocolates e de uma cadeira. Não são narrativas mórbidas, há até bastante espaço para a ironia, mesmo que não sejam perceptíveis por crianças com níveis de leitura iniciais. Mas lá chegarão.
O autor, Clovis Levi, é professor e crítico de teatro infantil. No primeiro conto, um rei infeliz proíbe a morte, depois os nascimentos e, mais tarde, a alimentação. “O Sol, vendo um reino sem crianças e sem jovens, decidiu nunca mais aparecer ali. Então, caiu a noite eterna.” Mas a luz há-de voltar.
Na segunda história, o bombom mais novo da família está ansioso por ser escolhido por uma criança. Pensa que vai passear e conhecer o mundo. “Não é passeio, é morte”, grita-lhe “um chocolate bem amargo”. O conto que dá nome à obra apresenta-nos uma cadeira antiga que pertence à bisavó Clotilde e que gostava de ser um sofá. No final da vida de ambas, são separadas e consideradas inúteis. Uma é queimada e a outra internada.
Embora não pareça, a história tem um final feliz. Só que não neste mundo. As ilustrações de Ana Biscaia, ora sombrias, ora mais luminosas e bem-humoradas, mantêm uma ligação estreita com o sentido do texto, sem se lhe prender demasiado. Há soluções gráficas muito eficazes, mas outras (no segundo conto) tornam o texto pouco legível. Um livro original.
(Texto divulgado na edição do Público de 5 de Maio, na página Crianças.)