segunda-feira, 8 de abril de 2013


Vídeo "Em Trânsito, em morte"




“Começámos a aceitar servilmente este estado de coisas e, quando já não somos capazes de esboçar o mais pequeno gesto de recusa sobre a participação no lento processo de destruição em massa em que estamos envolvidos, encontramo-nos prontos a ser vítimas da exploração e de um esmagamento da individualidade, acompanhados da maior de todas as farsas. A democracia relativiza todas as formas de exploração que se assumem como a maior ignomínia do nosso tempo.”


A 7 Nós acaba de publicar o título Em trânsito, em morte, de Ivo Martins, um autor que tem vindo a escrever regularmente sobre arte e jazz em diferentes publicações, mas que conhece com este livro a sua estreia editorial.

Uma luz branca, branca e densa, atravessa a todo o momento a leitura desta obra, não nos deixando escapar à ferida da lucidez.
Em trânsito, em morte é uma recolecção e justaposição de impressões, ideias, pequenas ficções, narrativas e digressões reunidas por contaminação num corpo discursivo de estatuto indefinido: nem “ensaio”, nem “romance”, nem “autobiografia”, nem “diário”. O tema deste livro é volátil e difuso – estamos perante uma escrita “sem assunto” e “sem tópico” que, profusa e expansiva, se ocupa de todos os grandes assuntos e grandes tópicos da hipercontemporaneidade (política, arte, sociedade) ao mesmo tempo que faz correr, em linhas paralelas, movimentos subterrâneos pelo interior de um espaço privado feito da solidão, dos impasses e micro-eventos da vida íntima e interior. O seu discurso surge-nos como a dissecação crítica, violenta e desassombrada, da realidade actual, elaborada a partir das fronteiras exíguas e claustrofóbicas de um apartamento suburbano, olhando para o exterior através das molduras das suas janelas e dos ecrãs de televisão. O sentimento específico do autor em relação ao real é, assim, perturbado e amplificado pela luz dos néons e da electricidade estática – símbolos de uma representação mediada (e, por conseguinte, não original) do mundo, que o distorce e submete a estratégias mitologizantes de alienação e a lógicas corruptas de comércio e mercado. A narrativa contida nesta obra desenha o mapa de uma viagem pela paisagem mental do contemporâneo, marcada pela devastação e, por vezes, por clarões pontuais e inesperados de beleza.
A publicação de Em trânsito, em morte apresenta aos leitores uma voz literária singular e introduz na frágil paisagem do pensamento crítico português, um inesperado exemplo de seiva crítica, exuberante e quase selvagem, impossível de ser catalogada ou enquadrada em qualquer corrente intelectual ou sistémica (académica, política ou literária).

Apresentações com a presença do autor:
Santo Tirso
Guimarães
Braga
Porto
Lisboa
(Mais informação em breve)

Ivo Martins (n. 1952) é conhecido publicamente pela sua actividade enquanto director artístico do festival Guimarães Jazz e como programador e curador de exposições de arte contemporânea. Escreve regularmente sobre música, arte e literatura em publicações como a Op, Acto ou Cuadernos de Jazz.
Ficha Técnica:
Autor: Ivo Martins
Género: Ensaio
Edição: 7 Nós e Manuel Neto
Capa: Micaela Amaral
Paginação: Maja Marek
Páginas: 200
Formato: 14,5 x 20,5

PVP: 15€ (IVA incl.)
ISBN: 978-989-8306-12-8

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IN TRANSIT, IN DEATH, IVO MARTINS

“We have started to slavishly accept this situation and, when we are at last unable even to make the smaller gesture of refusal against our participation in this slow process of mass destruction in which we are involved, we are ready to become victims of exploitation and obliteration of our individuality, followed by the greatest of our fables. Democracy renders relative all forms of exploitation, which are today the highest ignominies of our times.”


7 Nós just published In transit, in death, by Ivo Martins, an author who, although publishing regularly in art catalogs and other publications from many years to this part, makes his editorial debut with this book.

In transit, in death is a recollection and juxtaposition of impressions, ideas, small pieces of fiction, narratives and digressions gathered and contaminating each other through a discursive work of undefined status: neither “essay”, neither “novel”, neither “autobiography”, neither “diary”. Its subject is volatile and diffused – it is a text without a “main theme” or a “main topic”, prolix and profuse, that minds all subjects and all topics regarding hyper contemporary world (politics, art, society), while attempting at the same time and in parallel lines subterranean movements inside the private space of seclusion, dead ends and micro-events of our intimate and interior life. Its discourse arises as a critical dissection, violent and fearless, of nowadays society, made from the narrow and claustrophobic borders of a small suburban apartment, seeing the exterior world through the frames of its windows and through television screens. The author’s specific feelings and emotions towards reality are therefore disturbed and amplified by neon lights and static electricity – the symbols of a world’s mediated (thus non-original) representation which distorts and subjugates it to mythologizing strategies of alienation and to corrupted logics of trade and market. The narrative within this work draws the map of a motionless transit through contemporary landscapes and mindscapes of contemporary world, mainly punctuated by devastation and, sometimes, by rare and unexpected miracles of beauty.

The publication of In transit, in death introduces both the readers and the editorial world to a singular literary voice, one of the few examples in Portugal of a savage critical lushness, almost impossible to categorize within any intellectual current or system (academic, political or literary).

Ivo Martins (b. 1952) is publicly known as the artistic director of Guimarães Jazz festival and as curator of contemporary art exhibitions. He writes regularly about music, art and literature in magazines and other publications such as Op, Acto and Cuadernos de Jazz.